A prisão do prefeito de Ielmo Marinho, Fernando Batista Damasceno, durante a Operação Securitas da Polícia Civil, é mais do que um episódio policial: é um retrato da crise ética que corrói a política brasileira, especialmente em cidades pequenas, onde a proximidade entre gestores e população deveria garantir transparência e responsabilidade. Em vez disso, o que se vê é o uso da máquina pública como instrumento de intimidação e poder pessoal, com a formação de grupos armados e a tentativa de manipular adversários.
O flagrante do prefeito tentando se desfazer de dinheiro e de um celular durante a ação policial simboliza a tentativa desesperada de esconder provas de práticas ilícitas. Mas o que realmente chama atenção é o impacto que esse tipo de conduta tem sobre a vida cotidiana dos moradores: cada desvio de recurso, cada esquema de corrupção, significa menos investimento em saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos. Em municípios como Ielmo Marinho, onde a população depende diretamente da boa gestão dos recursos públicos, a corrupção não é apenas um crime contra o Estado, mas um ataque direto à dignidade das pessoas.
Mais uma vez, o povo é quem paga a conta. Enquanto políticos corruptos se beneficiam de esquemas escusos, a comunidade sofre com estradas esburacadas, escolas sem estrutura, postos de saúde sem medicamentos e a falta de oportunidades. A prisão de um prefeito em exercício deveria servir de alerta: não basta apenas punir os envolvidos, é preciso repensar o sistema que permite que figuras públicas transformem o poder em arma contra os próprios cidadãos.

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