Se a política de Macau fosse uma série da Netflix, já teria várias temporadas e spin-offs. Depois da “Máscara Negra”, dos rolos com a empresa Império e de tantos outros episódios dignos de roteiro de novela mexicana, eis que surge o novo escândalo: a Prefeitura resolveu se meter com um braço financeiro que agora aparece nas páginas policiais.
Em novembro de 2025, a Prefeitura assinou um convênio com a BMP Sociedade de Crédito Direto S.A., prometendo empréstimos consignados e cartões de crédito para os servidores municipais. Até aí, parecia apenas mais uma jogada burocrática. Mas o que ninguém esperava era que a tal instituição financeira virasse alvo da Polícia Federal, acusada de facilitar movimentações suspeitas ligadas a nada menos que PCC e Comando Vermelho. Sim, os servidores de Macau agora têm crédito consignado com pitadas de facção criminosa.
O contrato, com vigência inicial de 60 meses, permite que até 45% do salário líquido dos servidores seja comprometido com dívidas. A Prefeitura, claro, faz o papel de consignante, descontando direto na folha e repassando ao banco. Mas não se responsabiliza pelas dívidas — afinal, responsabilidade nunca foi o forte dessa gestão.
A operação “Cliente Fantasma” da PF revelou que a BMP movimentava bilhões sem comunicar quase nada ao Coaf. Em três anos, apenas quatro operações suspeitas foram registradas. É como se um banco que gira R$ 65 bilhões por mês tivesse visto apenas quatro mosquitos em um enxame de gafanhotos.
E para "surpresa de todos" como sempre, aparece nas entrelinhas, o ex-prefeito ligado a mais um rolo. Parece que em Macau, a cada escândalo, ele coleciona medalhas de participação.
Enquanto isso, os servidores seguem com seus consignados ativos, como se nada estivesse acontecendo. A Prefeitura finge que está tudo normal, e a população assiste, incrédula, a mais um capítulo da saga palaciana da corrupção.
Em resumo: Macau conseguiu transformar empréstimo consignado em caso policial. Se antes tínhamos a “Máscara Negra” e os rolos da Império, agora temos o “Cartão PCC-CV”. A política local não decepciona: sempre há espaço para mais uma temporada

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