Em Macau, a administração municipal parece ter se especializado em transformar dinheiro público em espetáculo de irresponsabilidade. Os números extraídos do Portal da Transparência da Prefeitura não deixam margem para dúvidas: só em 2025, quase 2 milhões de reais foram empenhados apenas para a locação de estruturas metálicas — arquibancadas provisórias para eventos. Desse montante, mais de 1,3 milhão já foi pago, restando cerca de 700 mil reais ainda em aberto. Tudo isso para estruturas que deveriam garantir segurança e conforto ao público, mas que, na prática, oferecem um verdadeiro convite ao desastre.
O luxo da precariedade
Enquanto milhões escorrem pelo ralo em contratos de locação, o que se entrega à população é um serviço vergonhoso. Estruturas montadas com parafusos sem porcas, amarrações improvisadas com arame e peças enferrujadas. É como se a prefeitura dissesse: “Aqui está o nosso presente para vocês: risco de acidente embalado em ferro velho.”
É impossível não ser sarcástico diante de tamanha contradição. Gasta-se como se estivéssemos em uma metrópole rica, mas entrega-se como se estivéssemos em um circo mambembe, onde a lona já rasgou e o picadeiro ameaça desabar.
O perigo escancarado
As imagens falam por si: arquibancadas frágeis, sustentadas por improvisos grotescos, expõem os frequentadores a riscos sérios. Cada evento se transforma em uma roleta russa coletiva, onde a população é obrigada a confiar sua integridade física a estruturas que mais parecem armadilhas.
E tudo isso com dinheiro público. Dinheiro que poderia estar sendo investido em saúde, educação, infraestrutura duradoura. Mas não: prefere-se gastar milhões em aluguel de ferro enferrujado, como se a cidade fosse refém de contratos que enriquecem poucos e colocam muitos em perigo.
O mais revoltante é que, além do serviço precário, ainda sobra dívida: 700 mil reais em aberto. Ou seja, a população paga caro, recebe mal e ainda fica com a sensação de que o pior está por vir. É a matemática da má gestão: somam-se milhões, subtraem-se direitos, multiplicam-se riscos e dividem-se prejuízos.
Em Macau, a administração municipal conseguiu a proeza de transformar arquibancadas em símbolos da incompetência. O povo não recebe segurança, não recebe qualidade, mas recebe a conta. E, ironicamente, ainda é convidado a sentar-se nessas estruturas duvidosas, como se fosse parte de um espetáculo grotesco onde o ingresso é pago com impostos e o risco é gratuito.





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