Num país que se gaba de ser democrático, mas onde a balança da justiça parece ter sido trocada por um pandeiro de escola de samba, vemos o espetáculo grotesco das contradições. Velhinhos e manicures são condenados a mais de 14 anos por supostos “golpes” sem armas, sem violência, usando bíblia e batom como se fossem instrumentos de guerra. Enquanto isso, assassinos, traficantes e corruptos de carteirinha desfilam livres, beneficiados por indultos, reduções de pena e perdões generosos.
O contraste é tão absurdo que chega a ser cômico — se não fosse trágico. Ex-presidentes são presos por atos que fazem parte da atribuição do cargo, como reunir-se com embaixadores, enquanto ministros da mais alta corte fazem o mesmo sem sequer receber uma crítica. A seletividade é escancarada: quando é conveniente, a lei vira espada; quando não é, transforma-se em tapete vermelho.
E a festa continua. A esquerda, por exemplo, transforma o carnaval em palanque político, gastando dinheiro público para homenagear quem liberou a verba. Criam sambas que ridicularizam adversários e religiões divergentes, como se fossem donos da verdade absoluta. A justiça? Silencia. Se fosse o outro lado, a Polícia Federal já teria interditado a avenida. Normatizaram os escândalos, institucionalizaram os maus feitos, e seus admiradores partidários fingem não ver o absurdo — ou talvez vejam e aplaudam, porque são do mesmo nível.
Enquanto isso, ministros se envolvem com mercado financeiro, familiares assinam contratos mirabolantes, e tudo segue como se fosse normal. Num país sério, estariam todos enjaulados. Aqui, são tratados como celebridades.
A verdade é dura: quem defende esse tipo de coisa ou é inocente politicamente analfabeto, ou é cúmplice. Não há meio-termo. A justiça virou caricatura, e o povo, refém de um sistema que escolhe quem punir e quem absolver conforme a conveniência partidária.

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