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Afinal, a quem Lula quer enganar?

Lula agora desafia adversários a abrirem seus sigilos, mas sua própria trajetória foi marcada por investigações que abalaram a República. Mensalão, Petrolão, triplex do Guarujá e sítio de Atibaia são capítulos de uma longa história de escândalos e acusações. Em 2018, Lula foi preso após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex, permanecendo 580 dias na cadeia. Também vieram à tona questionamentos envolvendo empreiteiras, delações de executivos como Joesley Batista e acusações relacionadas a recursos e relações políticas. São fatos e episódios que não desaparecem simplesmente porque o discurso mudou.

Agora, Lula afirma que não tem celular e que não movimenta dinheiro por contas de esquemas. Mas, se transparência é realmente a regra, por que não aceitar uma cobrança igual para todos? Flávio Bolsonaro o desafiou a abrir informações que, segundo ele, permaneceriam protegidas por cem anos. A cobrança precisa ser objetiva: esclarecimentos sobre o cartão corporativo da Presidência, despesas relacionadas a Janja e eventuais movimentações financeiras ou comunicações de familiares e pessoas citadas em investigações. As referências ao INSS, ao Instituto Lula, a empreiteiras e a encontros com Daniel Vorcaro também exigem apuração rigorosa, documentos e respostas verificáveis — não insinuações tratadas como sentenças.

Lula, transparência não pode ser uma vitrine para os adversários e uma cortina para os aliados. Quem exige que os outros abram os sigilos precisa estar disposto a responder às mesmas perguntas. O brasileiro não quer espetáculo, frases de efeito nem dois pesos e duas medidas: quer explicações, documentos e a verdade. Se não há nada a esconder, que a transparência comece por quem a exige. Afinal, diante de tantas controvérsias, a pergunta continua de pé: quem tem medo de mostrar o que os brasileiros têm o direito de conhecer?

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