Após dois mandatos de Fátima Bezerra, Cadu Xavier entra na disputa como herdeiro político de um governo pressionado por problemas fiscais, dificuldades na saúde e cobranças por serviços públicos. O eleitor potiguar tem o direito de exigir respostas antes de acreditar em novas promessas.
O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 diante de uma pergunta incômoda: depois de tantos anos de PT no comando do Estado, por que tantos potiguares ainda convivem com estradas precárias, dificuldades nas escolas, problemas na rede pública de saúde e atrasos denunciados nos pagamentos a profissionais e prestadores de serviços? Em abril de 2026, médicos que atendem pacientes do SUS anunciaram paralisação de serviços de média e alta complexidade, alegando atrasos nos repasses estaduais desde setembro de 2025. Em julho, hospitais e cooperativas médicas também enfrentavam pendências financeiras, levando a Secretaria de Saúde a apresentar um plano de pagamento de R$ 17,8 milhões. São fatos documentados que expõem o impacto concreto da crise administrativa sobre quem depende do serviço público.
E agora, às vésperas da disputa eleitoral, surge Cadu Xavier, o candidato apoiado por Fátima Bezerra, tentando apresentar-se como alternativa para o futuro. Mas Cadu não é um observador que chegou de fora: foi secretário de Tributação e da Fazenda durante a gestão petista. Sua candidatura precisa responder pelos resultados de uma administração da qual participou. Também pesa sobre seu histórico o debate acerca do aumento do ICMS estadual de 18% para 20%, aprovado em 2023, e o questionamento sobre o reajuste de uma parcela remuneratória dos auditores fiscais em 2021, quando ele comandava a área tributária e integrava a mesma carreira. O caso está sob análise do Tribunal de Contas, ainda não há condenação definitiva contra Cadu; sua campanha sustenta que ele não recebeu aumento pessoal em decorrência da medida. Ainda assim, são questões legítimas para o eleitor cobrar transparência e explicações.
A pergunta, portanto, é direta: o eleitor potiguar vai aceitar mais uma campanha de promessas sem cobrar a prestação de contas do passado? Não basta aparecer sorrindo, apertar mãos e vender esperança quando a realidade de hospitais, escolas, estradas e contas públicas exige respostas. Fátima tem a obrigação de explicar os resultados de seus oito anos de governo; Cadu, por sua vez, precisa esclarecer sua participação nas decisões da gestão que agora pretende suceder. O Rio Grande do Norte não pode ser tratado como propriedade partidária, nem seu povo como plateia de propaganda eleitoral. O cidadão merece mais do que discursos: merece serviços funcionando, pagamentos em dia, impostos justificados e compromissos cumpridos. Antes de pedir um novo voto de confiança, o PT precisa responder pela maselas se seu governo.

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