Segundo dados da Serasa Experian, o Brasil começou 2026 com 81,3 milhões de consumidores inadimplentes — metade da população adulta. É um número tão colossal que equivale a uma “Alemanha de devedores”. Cada CPF carrega em média 4,02 dívidas negativadas, somando R$ 6.453,29. O ticket médio por débito é de R$ 1,6 mil.
Não estamos falando apenas de cartões de crédito e financiamentos. A inadimplência já tomou conta da vida cotidiana: em janeiro de 2026, 22% das dívidas em atraso eram de contas básicas como água, luz e gás. Em 2025, 17 milhões de brasileiros tiveram a energia cortada por falta de pagamento. É o retrato cru de um país que não consegue garantir o mínimo.
O erro estratégico
O governo Lula apostou no crédito como motor de crescimento. Mas crédito sem renda é como construir uma casa sobre areia movediça. O resultado foi previsível: famílias endividadas, juros sufocantes e inadimplência recorde.
A política econômica preferiu inflar indicadores com consumo financiado em vez de enfrentar os problemas estruturais — carga tributária regressiva, baixa produtividade e mercado de trabalho precarizado. O Estado arrecada como se fosse rico, mas entrega serviços públicos frágeis e empurra o cidadão para o crédito caro.
A realidade incômoda
Os números da Serasa não deixam margem para discurso otimista. O Brasil de 2026 é um país onde milhões vivem na escuridão literal, sem luz em casa, porque não conseguem pagar a conta. É a prova de que a política econômica falhou em proteger os mais vulneráveis e em criar condições para que o consumo fosse sustentável.
Enquanto o governo insiste em narrativas de crescimento e inclusão, a realidade mostra um país atolado em dívidas. Se não houver uma guinada estrutural, continuaremos a carregar o estigma de “Alemanha de devedores”, com consequências sociais e econômicas cada vez mais graves.

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