A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro de Macau/RN, localizada na Rua Padre Clemente, está prestes a completar um ano de portas cerradas. O que deveria ser um espaço de atendimento primário, acolhimento e prevenção, transformou-se em símbolo da negligência administrativa. Famílias inteiras que dependiam do posto para consultas, exames simples e acompanhamento médico foram obrigadas a se deslocar para bairros distantes ou até cidades vizinhas, enfrentando filas e dificuldades que poderiam ser evitadas.
De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura de Macau, o município arrecada mensalmente valores significativos em receitas públicas, provenientes de repasses federais, estaduais e impostos locais. São milhões que entram nos cofres municipais todos os meses, mas que não se traduzem em serviços básicos para a população. A pergunta que ecoa é inevitável: onde está sendo aplicado esse dinheiro, se a principal unidade de saúde da cidade permanece fechada há quase um ano?
A Secretaria Municipal de Saúde demonstra uma inoperância gritante. Não há justificativa plausível para que uma UBS permaneça tanto tempo sem funcionar. Se o problema é estrutural, por que não houve reforma? Se é falta de profissionais, por que não houve contratação? Se é questão burocrática, por que não se buscou solução? A gestão municipal parece anestesiada, incapaz de oferecer respostas e, pior, indiferente ao sofrimento da população.
É inadmissível que em pleno século XXI, em uma cidade que arrecada recursos suficientes para manter serviços básicos, a saúde pública seja tratada como um detalhe. Ficar com uma UBS por um ano é um crime contra a cidadania. É a prova de que a administração municipal falhou em sua missão mais elementar: cuidar das pessoas. A população de Macau não precisa de discursos vazios ou promessas futuras, precisa de ação imediata. Precisa de portas abertas, médicos atendendo, remédios disponíveis e dignidade no acesso ao SUS.
A UBS do Centro de Macau é hoje um monumento ao descaso. Enquanto a prefeitura ostenta arrecadação robusta, a população sofre com a ausência de atendimento básico. A gestão municipal e a Secretaria de Saúde devem ser cobradas com firmeza: não há desculpa para um ano de abandono. O povo de Macau merece respeito, e respeito se traduz em saúde funcionando, não em prédios fechados e promessas esquecidas.

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