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O helicóptero pousa. A confiança pública despenca

Um vídeo revelado pelo portal Metrópoles mostra o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) e o empresário Luiz Pastore (Grupo Ibrame) chegando de helicóptero ao resort Tayayá, no Paraná, para um encontro reservado com o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. A cena, digna de um roteiro de escândalo institucional, expõe o que muitos já suspeitavam: a corrupção no Brasil não apenas toca o Judiciário — ela pousa nele com pompa, desce sorrindo e é recebida com abraços e bebidas.

Toffoli, de chinelo e bermuda, aguarda os convidados em uma área privativa do resort, às margens da represa de Xavantes. O helicóptero, com prefixo ligado ao BTG, aterrissa como se fosse rotina. E talvez seja. Afinal, o resort é frequentemente usado pelo ministro para receber empresários, políticos e figuras do alto escalão, segundo funcionários que o tratam como verdadeiro dono do loca

O STF virou camarote de luxo?

O Supremo Tribunal Federal deveria ser a última trincheira contra os abusos do poder, o guardião da Constituição. Mas com cada novo episódio envolvendo Toffoli, essa imagem se dissolve como gelo em uísque caro servido à beira da piscina. O ministro já foi alvo de suspeitas por decisões que beneficiaram investigados da Lava Jato, e agora aparece em vídeos confraternizando com figuras que orbitam o centro do poder econômico e político do país.

André Esteves, um dos banqueiros mais influentes do Brasil, já esteve envolvido em investigações e é conhecido por sua proximidade com membros do Judiciário e do Executivo. Luiz Pastore, por sua vez, também tem histórico de relações com figuras investigadas. E ambos desembarcam no Tayayá como se estivessem indo a um almoço de domingo — só que o anfitrião é um ministro do STF4

A cada novo vídeo, a explicação se torna impossível

Não há nota oficial que apague o que as imagens mostram. Não há justificativa institucional que resista ao peso simbólico de um helicóptero pousando para um encontro informal com um magistrado. O que deveria ser blindado contra interesses privados virou sala VIP de conchavos.

O Brasil não precisa de mais escândalos — precisa de respostas. Precisa de ministros que honrem a toga, não que a transformem em traje de banho. E precisa, urgentemente, de um Judiciário que não seja confundido com um clube fechado onde os donos do dinheiro entram pela porta dos fundos — ou pelo heliponto.

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