Nos últimos meses, e especialmente nos últimos dias, o Brasil tem testemunhado cenas que jamais seriam toleradas em democracias maduras. A presença de agentes da Polícia Penal dentro da casa de um ex-presidente da República — sem condenação definitiva — é um marco sombrio na história institucional do país. Não é exagero dizer que estamos diante de um Estado que flerta perigosamente com o autoritarismo.
A justificativa oficial? Risco de fuga. A realidade? Um espetáculo político travestido de legalidade. A Polícia Federal, que deveria ser uma instituição de Estado, parece hoje atuar como um braço operacional do governo — um verdadeiro puxadinho do partido que ocupa o poder.
Isso não é justiça. É perseguição. A democracia pressupõe o devido processo legal, o contraditório, a presunção de inocência. Quando esses pilares são ignorados em nome de narrativas políticas, o que resta é um simulacro de liberdade. O cidadão comum, que deveria se sentir protegido pelas instituições, passa a temê-las.
O que está em jogo não é apenas a liberdade de um ex-presidente — é a liberdade de todos nós. Se hoje invadem a casa de um líder político sem condenação, amanhã podem invadir a sua. Se hoje monitoram um adversário ideológico com câmeras e agentes dentro de sua residência, amanhã podem vigiar qualquer cidadão que ouse discordar.
Não se trata de defender nomes ou partidos. Trata-se de defender princípios. E o princípio mais básico de uma democracia é que ninguém — absolutamente ninguém — deve ser punido ou constrangido sem julgamento justo.
O silêncio diante desses abusos é cumplicidade. É hora de levantar a voz. De exigir que as instituições voltem a servir ao povo, e não a projetos de poder. De lembrar que democracia não é apenas votar — é garantir que todos, inclusive os que pensam diferente, tenham seus direitos respeitados.
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